quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dash113 e meu pé direito


Quando me inscrevi, não pensava em me inscrever para o IM BR 2014, seria minha “compensação”.  E estar em Floripa é sempre muito bom, gosto( na verdade eu e minha família gostamos ) muito de lá. Viveria lá inclusive.

Faltando uns 6 meses para a prova eu senti uma dor no joelho que me deixou bastante preocupado, mal conseguia colocar os pés no chão. Após algum exames foram contatadas duas lesões. Menisco e na própria tíbia, o mais preocupante é o edema ósseo.

A orientação foi evitar impacto, fortalecer e alongar TUDO da cintura para baixo e pensar na meniscotomia. Tirando a cirurgia, fiz tudo certinho rs e depois de quase 3 meses eu estava voltando a correr bem leve e na esteira. A coisa estava indo bem até que num final de semana que resolvi correr na rua a coisa piorou novamente.

Aí neste momento meu treinador( agora ex ) tinha me perguntado se não era hora de desistir do dash, fazer a cirurgia, recuperar e treinarmos para o IM BR. Esta seria a decisão mais lógica, mas minha resposta para ele foi:  Cara, vou fazer a prova nem que seja para nadar e pedalar, a corrida eu ando ou não faço.

Segui com os treinos de natação e bike normalmente até o início de novembro. A corrida ficou de lado e fiz meia dúzia de trotes de 30 a 60min na esteira ao longo de novembro. Resumindo, fui para a prova sem ter treinado praticamente nada de corrida nos últimos 3 ou 4 meses. Nada são.

Viagem em si foi bem tranquila, sem problemas no embarque, aluguel de carro e Ap já reservado no Open Shopping. A Viviane da imobiliária me conseguiu um Ap no segundo bloco do shopping achando que estaria me agradando porque era pertinho de tudo, mas fica no furdunço heheheh tudo que eu não queria, mas isso não foi problema graças às condições climáticas, se o final de semana tivesse sido de sol, estaria lascado.

Na sexta-feira eu ia sair para testar a bike, mas antes resolvi trocar o taco da sapatilha que estava comprado e tinha levado para trocar lá mesmo. O danado não saía por nada e também não apertava de volta. Resolvi levar pro Max( da kona bikes ) trocar. Nem eles lá conseguiram tirar e condenaram a sapatilha. A porca de dentro oxidou. Se estivesse no Rj, mandava arrumar, mas na véspera da prova achei melhor não arriscar e comprei outra. Estresse psicológico, essa porra ia azedar meu pedal. Mas como estava muito relax com a prova, fiquei só um pouco preocupado. Em condições normais estaria desesperado.

Sábado de manhã encontrei com o Rafa( que só conhecia do Facebook ) para um mini simulado. Nadamos uns 800m( em 2 voltas ), pedalamos uns 30min e depois corremos mais uns 30min. A sapatilha embora não tenha gerado desconforto a ponto de machucar, não era tão confortável quanto minha velhinha de guerra.  Na corrida não vi o ritmo, mas o joelho só reclamou umas 2x logo no início. Depois que esquentou foi na boa. Fiquei mais animado e já achava que conseguiria correr duas das três voltas do percurso.

A tarde fomos no congresso técnico, tudo muito bem explicado e organizado. Único senão foi um atraso de quase 40min, o que atrasou o jantar de todo mundo. Eu não fiquei para o jantar de massas, então não posso falar da qualidade do mesmo. O meu eu mesmo fiz no Ap, uma massa com molho pesto de manjericão e uma taça de vinho com a patroa.

Terminei de arrumar as últimas coisas nas sacolas da prova e tentei dormir o mais cedo possível, o que só aconteceu às 23h.

Domingo acordei às 4:30, tomei café como faço nos dias de treino longo e fui para a área de transição. Conferi a bike e estava tudo ok. Arrumei as coisas na sequência que iria precisar e coloquei a roupa de borracha. Deixei um gel da cliff que sobrou do IM dentro do tênis, embora não faça uso de gel para meus treinos, deixei ali como um SOS( tem 100mg de cafeína, vai que.... ). Na hora da corrida eu o colocaria no bolso, COLOCARIA !

Aquela caminhada pela transição encontrando os amigos, fala com o Dalton, Carlos, Bessa, Adonis, procurei falar com todo mundo que reconheci.

Hora de ir para a água “aquecer”, na verdade aquela entradinha de 5min só para não ter choque na hora da largada. Isso me acalma bastante nas provas.

Voltando para a areia comecei a olhar a correnteza e em como as boias estava se movendo para um dos lados. Imaginei como seria a navegação.

Fiquei ali com alguns amigos do RJ conversando, vi a família na grade, fui lá dar um beijo neles e voltei para a largada.

A saída já era esperado que seria complicada, largada estreitinha. Tínhamos que passar entre duas boias a menos de 80m da areia e contornar a primeira a direita com mais uns 200m. Cara, foi a pior largada da minha vida. Apanhei pouco, mas era simplesmente impossível dar 3 braçadas sem acertar o cara da frente. 

Foi assim até os 300m eu acho. Muito ruim, não se nadava.

Depois disso melhorou e a natação fluiu. Mesmo com este início catastrófico eu nadei em 33min e devo ter navegado bem porque o garmin marcou incríveis 1900m e 400m de transição. Que transição longa também. 

Gostei da minha natação, ACHO que foi a melhor em 70.3. Não sei contando com transição, mas de água acho que foi.

Aqui na T1 eu demorei, Ô e como demorei. A roupa não saiu fácil, eu revisei se tinha pego minha alimentação umas 3x, sacola com câmaras reserva, etc... Levei uns 5min.

A saída para o pedal foi tranquila, um pouco ofegante, mas tranquila. O pedal foi em duas voltas indo até o shopping e depois retornando numa rotatória em canasvieiras. A prova foi vendida como super rápida,  e bla bla bla. Um item que favoreceu foi a temperatura, outro o horário, sendo mais cedo teríamos menos vento no sentido canasvieiras. Mas a prova teve 300m de ganho de elevação. Percurso foi reduzido por conta de interdição de vias para aproximadamente 88km.

Não me senti completamente confortável na bike, não sei o que foi. Não posso culpar somente a sapatilha. 

Mas pedalei para 2h 30min. Tinha expectativa de pedalar pelo menos 10min mais rápido.

Muita hidratação no percurso, esta parte estava impecável.

Vácuo vi pouco, nenhum grande grupo. Normalmente saio bem atras na natação e venho recuperando, aí vejo mais grupos. Como desta vez saí da água relativamente bem posicionado, vi muitas pessoas me passando no ciclismo.

Se não fosse correr, teria forçado um pouco mais na bike, mas como mudei de ideia no final de semana e resolvi tentar correr os 21km, mantive o desconforto sob controle.

Único susto no pedal foi uma desgraçada de uma menina que se enfiou na minha frente umas duas vezes. 

Fora o risco de eu ser penalizado, ela entrou e reduziu, quase atropelei. Esperei e dei um tiro. Problema resolvido.

Entreguei a bike estava inteiro. Se tivesse em condições normais para correr, a prova seria outra, com certeza. Pernas zeradas.

T2 até que foi boa, praticamente só tirei capacete e sapatilha e as tralhas da bike. Peguei o tênis e minha camisa da força vegana. E o que eu fiz com o gel que estava dentro do tênis ? nada, mais isso falo mais para frente.

A corrida seria uma incógnita, nunca tinha ido para uma prova( nem de corrida ) sem ter treinado direito, ainda mais assim sem treino algum, nada são.

Comecei a primeira volta bem, até reduzi o ritmo para fazer de maneira progressiva as voltas. A ideia era fazer a primeira tranquila, a segunda um pouco desconfortável e a última da maneira que desse.

Mas antes de fechar a primeira volta eu já tinha percebido que não seria desta maneira e a estratégia teve que ser de sobrevivência. Só pensava em chegar, só isso. Meu filho fica louco para me acompanhar nas provas, acorda na madruga e fica mais feliz do que eu quando chegamos juntos. Veste a camisa de finisher e coloca a medalha no peito com todo orgulho e parece que ele fez a prova.

Além disso, tinha que chegar, questão de honra.... Carreguei um camarada que lutou até onde pode para alinhar com os amigos, mas infelizmente não deu né Wlad ? faz parte.

Briguei a cada km para chegar, senti demais como nunca tinha sentido. Nunca sofri tanto numa corrida. Me arrisco a dizer que nem no IM eu cheguei tão arrastado.

Quando abri a última volta( ligeiramente menor ) eu falei para a esposa “só falta uma, vai para a chegada”.

Encontrei com o filhote, fomos juntos os últimos 100m. Pronto, missão cumprida e comprida.

As pernas estavam meio travadas, fiquei uns minutinhos na piscina de gelo até chegar minha vez na massagem.

Ali encontrei a turma novamente, últimos comentários, e casa.

Tempo final de prova foi 5h 14min( meu garmin ) e 5h 17min no resultado oficial. Em condições normais, esse tempo seria pelo menos 40min abaixo.

Precisava de um banho e de roupas secas, estava com frio já.

Já ia me esquecendo, sabe do gel que deixei dentro do tênis ? então, descobri que ele me acompanhou a prova toda, só percebi que não tinha tirado para correr quando fui guardar o tênis no domingo a noite  :)   bem que eu achei algo estranho no meu pé direito.

Analisando as coisas com mais calma na segunda, a falta de treino de corrida me ferrou mais do que meu joelho. Senti a falta de condicionamento específico, embora tivesse treinado bem o pedal e a natação.

Agora é recuperar de verdade, ver as opções de tratamento para poder treinar decentemente para o IM BR, porque é inimaginável fazer o que eu fiz no IM. Sofrer desta maneira por 42km não dá.


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