segunda-feira, 26 de maio de 2014

Golf e Triathlon, diferenças e semelhanças





Ontem( 25/05 ) aconteceu a importante prova de triathlon na distância Ironman( 3800m de natação, 180 km de ciclismo SEM VÁCUO e 42,195 km de corrida ) na ilha de Florianópolis. Já estive por 3 oportunidades lá.

Eu gosto muito de treinar para Ironman, gosto dos amigos que reencontro, gosto do clima de Floripa e gosto MUITO da semana que compreende os 3 dias antes, o final de semana da prova e os dias seguintes. O clima é de magia, me sinto numa colônia de férias.


Nos últimos dois anos estive de fora desta grande festa simplesmente porque não tive condições de me planejar financeiramente para fazê-la. Isso é, sem comprometer os demais compromissos que tenho com minha família. Enfim, hoje faz quem pode e não quem quer. Mas isso é outro assunto.

O que me levou a escrever sobre Golf e Triathlon foram dois eventos que aconteceram nos últimos dias. 

Um foi a palestra do Jefferson Leonardo sobre autoconfiança, autoconhecimento, liderança e ética.

O outro foi justamente o Ironman Brasil 2014 e seus respectivos desdobramentos. Foram fotos, videos, posts em redes sociais, desabafos de amigos, etc...

É aqui que entra a comparação entre os esportes.

Eu não conhecia muita coisa de golf, na verdade conheço só mais um pouco depois da palestra. Descobri que iniciou na Escócia, que pode ser jogado individualmente ou em grupos de dois a quatro jogadores, e tem como particularidade a ausência de um "adversário" propriamente dito, o único adversário do golfista é o próprio campo, uma vez que não há nada que ele possa fazer no sentido de dificultar o desempenho de outros jogadores. O resultado depende de seu esforço individual e sorte, e cada golfista luta para baixar a sua pontuação total no campo.


Golf segundo o wikipedia(http://pt.wikipedia.org/wiki/Golfe)

Aqui encontrei alguma semelhança:
- Ausência de um "adversário", no triathlon cada um deve fazer o SEU melhor, com o SEU esforço individual.

Mas vamos ao que me fez lembrar da palestra.

No golf não existe juiz, não tem ninguém te vigiando e quem determina as punições é o próprio jogador. Na palestra traça-se um paralelo o tempo todo com um filme chamado “O melhor jogo da história”, baseado em fatos reais onde um jovem de 20 anos venceu o torneio US Open de Golfe, em 1913. Na ocasião, ele derrotou Harry Vardon, seu maior ídolo e um dos favoritos a ganhar a competição. Francis foi o mais jovem jogador a ganhar a competição até então.

Francis, em um determinado momento do jogo onde a bolinha estava no meio de uma mata que ninguém podia vê-lo, decidiu retirar uma folha que estava próxima à bolinha que acabou saindo do lugar. Se ele tivesse prosseguido com a jogada, ninguém além de sua conciência saberia. Mas Francis era muito honesto e acusou a falta, colocando em risco sua vitória na partida.

Meus amigos, isso se chama ética, respeito às regras, respeitos aos demais participantes do seu esporte, seja ele qual for.

Infelizmente não é a mesma coisa que tenho visto no triathlon, relatos e mais relatos de performances mágicas, grandes saltos em poucos meses, ganhos que levariam anos de prática esportiva para serem alcançados.




sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Como anda a educação dos nossos filhos ?


Me preocupo( eu e a Marcella na verdade ) muito com a educação do meu filho e este é um dos motivos de termos optado por ter apenas um. Queríamos poder dar-lhe toda a atenção que ele precisa e merece.

De verdade eu penso que é mais importante me preocupar com o filho/cidadão que deixarei neste mundo do que com o mundo que deixarei para ele. Embora eu também me preocupe em causar o menor impacto possível no planeta.  Não foi o fator motivador, mas hoje é um dos motivos de ser vegano.

Hoje enquanto almoçava, num restaurante modesdo perto da empresa na qual trabalho, presenciei uma cena que me motivou a escrever esta reflexão.

Uma mulher( aparentando seus 40 e poucos anos ) com seu filho( de uns 7 ou 8 anos ), ambos visivelmente acima do peso. No prato do filho tinha arroz, feijão, farofa, nuggets e lingüiça de churrasco e nada mais. Para acompanhar um refrigerante normal.


Beleza ? beleza nada né ? como se não bastasse, o guri sacou da mochila um videogame portátil e começou a jogar e não deu bola para o almoço.

Se fosse seu filho o que você faria ? se fosse o meu, jamais o deixaria jogar enquanto almoçava. Mas a digníssima mãe em questão, além de não agir ainda começou a dar a comida na boquinha do filho para ele continuar jogando. É o fim da picada !

E assim vamos formando uma geração que se entope de porcaria, fica mais obesa a cada dia, pais que não querem ter o trabalho de educar seus filhos( porque educar dá trabalho sim ) e crianças mal educadas e chatas que se tornarão adultos igualmente mal educados, do tipo que usam o acostamento e estacionam em vaga de idoso ou deficiente.

Dê exmplos bons, ensine o bem, corrija quando necessário e sem receio, com certeza estrará fazendo bem ao seu filho e ao planeta. Seus filhos são seus maiores bens e seu legado.



quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dash113 e meu pé direito


Quando me inscrevi, não pensava em me inscrever para o IM BR 2014, seria minha “compensação”.  E estar em Floripa é sempre muito bom, gosto( na verdade eu e minha família gostamos ) muito de lá. Viveria lá inclusive.

Faltando uns 6 meses para a prova eu senti uma dor no joelho que me deixou bastante preocupado, mal conseguia colocar os pés no chão. Após algum exames foram contatadas duas lesões. Menisco e na própria tíbia, o mais preocupante é o edema ósseo.

A orientação foi evitar impacto, fortalecer e alongar TUDO da cintura para baixo e pensar na meniscotomia. Tirando a cirurgia, fiz tudo certinho rs e depois de quase 3 meses eu estava voltando a correr bem leve e na esteira. A coisa estava indo bem até que num final de semana que resolvi correr na rua a coisa piorou novamente.

Aí neste momento meu treinador( agora ex ) tinha me perguntado se não era hora de desistir do dash, fazer a cirurgia, recuperar e treinarmos para o IM BR. Esta seria a decisão mais lógica, mas minha resposta para ele foi:  Cara, vou fazer a prova nem que seja para nadar e pedalar, a corrida eu ando ou não faço.

Segui com os treinos de natação e bike normalmente até o início de novembro. A corrida ficou de lado e fiz meia dúzia de trotes de 30 a 60min na esteira ao longo de novembro. Resumindo, fui para a prova sem ter treinado praticamente nada de corrida nos últimos 3 ou 4 meses. Nada são.

Viagem em si foi bem tranquila, sem problemas no embarque, aluguel de carro e Ap já reservado no Open Shopping. A Viviane da imobiliária me conseguiu um Ap no segundo bloco do shopping achando que estaria me agradando porque era pertinho de tudo, mas fica no furdunço heheheh tudo que eu não queria, mas isso não foi problema graças às condições climáticas, se o final de semana tivesse sido de sol, estaria lascado.

Na sexta-feira eu ia sair para testar a bike, mas antes resolvi trocar o taco da sapatilha que estava comprado e tinha levado para trocar lá mesmo. O danado não saía por nada e também não apertava de volta. Resolvi levar pro Max( da kona bikes ) trocar. Nem eles lá conseguiram tirar e condenaram a sapatilha. A porca de dentro oxidou. Se estivesse no Rj, mandava arrumar, mas na véspera da prova achei melhor não arriscar e comprei outra. Estresse psicológico, essa porra ia azedar meu pedal. Mas como estava muito relax com a prova, fiquei só um pouco preocupado. Em condições normais estaria desesperado.

Sábado de manhã encontrei com o Rafa( que só conhecia do Facebook ) para um mini simulado. Nadamos uns 800m( em 2 voltas ), pedalamos uns 30min e depois corremos mais uns 30min. A sapatilha embora não tenha gerado desconforto a ponto de machucar, não era tão confortável quanto minha velhinha de guerra.  Na corrida não vi o ritmo, mas o joelho só reclamou umas 2x logo no início. Depois que esquentou foi na boa. Fiquei mais animado e já achava que conseguiria correr duas das três voltas do percurso.

A tarde fomos no congresso técnico, tudo muito bem explicado e organizado. Único senão foi um atraso de quase 40min, o que atrasou o jantar de todo mundo. Eu não fiquei para o jantar de massas, então não posso falar da qualidade do mesmo. O meu eu mesmo fiz no Ap, uma massa com molho pesto de manjericão e uma taça de vinho com a patroa.

Terminei de arrumar as últimas coisas nas sacolas da prova e tentei dormir o mais cedo possível, o que só aconteceu às 23h.

Domingo acordei às 4:30, tomei café como faço nos dias de treino longo e fui para a área de transição. Conferi a bike e estava tudo ok. Arrumei as coisas na sequência que iria precisar e coloquei a roupa de borracha. Deixei um gel da cliff que sobrou do IM dentro do tênis, embora não faça uso de gel para meus treinos, deixei ali como um SOS( tem 100mg de cafeína, vai que.... ). Na hora da corrida eu o colocaria no bolso, COLOCARIA !

Aquela caminhada pela transição encontrando os amigos, fala com o Dalton, Carlos, Bessa, Adonis, procurei falar com todo mundo que reconheci.

Hora de ir para a água “aquecer”, na verdade aquela entradinha de 5min só para não ter choque na hora da largada. Isso me acalma bastante nas provas.

Voltando para a areia comecei a olhar a correnteza e em como as boias estava se movendo para um dos lados. Imaginei como seria a navegação.

Fiquei ali com alguns amigos do RJ conversando, vi a família na grade, fui lá dar um beijo neles e voltei para a largada.

A saída já era esperado que seria complicada, largada estreitinha. Tínhamos que passar entre duas boias a menos de 80m da areia e contornar a primeira a direita com mais uns 200m. Cara, foi a pior largada da minha vida. Apanhei pouco, mas era simplesmente impossível dar 3 braçadas sem acertar o cara da frente. 

Foi assim até os 300m eu acho. Muito ruim, não se nadava.

Depois disso melhorou e a natação fluiu. Mesmo com este início catastrófico eu nadei em 33min e devo ter navegado bem porque o garmin marcou incríveis 1900m e 400m de transição. Que transição longa também. 

Gostei da minha natação, ACHO que foi a melhor em 70.3. Não sei contando com transição, mas de água acho que foi.

Aqui na T1 eu demorei, Ô e como demorei. A roupa não saiu fácil, eu revisei se tinha pego minha alimentação umas 3x, sacola com câmaras reserva, etc... Levei uns 5min.

A saída para o pedal foi tranquila, um pouco ofegante, mas tranquila. O pedal foi em duas voltas indo até o shopping e depois retornando numa rotatória em canasvieiras. A prova foi vendida como super rápida,  e bla bla bla. Um item que favoreceu foi a temperatura, outro o horário, sendo mais cedo teríamos menos vento no sentido canasvieiras. Mas a prova teve 300m de ganho de elevação. Percurso foi reduzido por conta de interdição de vias para aproximadamente 88km.

Não me senti completamente confortável na bike, não sei o que foi. Não posso culpar somente a sapatilha. 

Mas pedalei para 2h 30min. Tinha expectativa de pedalar pelo menos 10min mais rápido.

Muita hidratação no percurso, esta parte estava impecável.

Vácuo vi pouco, nenhum grande grupo. Normalmente saio bem atras na natação e venho recuperando, aí vejo mais grupos. Como desta vez saí da água relativamente bem posicionado, vi muitas pessoas me passando no ciclismo.

Se não fosse correr, teria forçado um pouco mais na bike, mas como mudei de ideia no final de semana e resolvi tentar correr os 21km, mantive o desconforto sob controle.

Único susto no pedal foi uma desgraçada de uma menina que se enfiou na minha frente umas duas vezes. 

Fora o risco de eu ser penalizado, ela entrou e reduziu, quase atropelei. Esperei e dei um tiro. Problema resolvido.

Entreguei a bike estava inteiro. Se tivesse em condições normais para correr, a prova seria outra, com certeza. Pernas zeradas.

T2 até que foi boa, praticamente só tirei capacete e sapatilha e as tralhas da bike. Peguei o tênis e minha camisa da força vegana. E o que eu fiz com o gel que estava dentro do tênis ? nada, mais isso falo mais para frente.

A corrida seria uma incógnita, nunca tinha ido para uma prova( nem de corrida ) sem ter treinado direito, ainda mais assim sem treino algum, nada são.

Comecei a primeira volta bem, até reduzi o ritmo para fazer de maneira progressiva as voltas. A ideia era fazer a primeira tranquila, a segunda um pouco desconfortável e a última da maneira que desse.

Mas antes de fechar a primeira volta eu já tinha percebido que não seria desta maneira e a estratégia teve que ser de sobrevivência. Só pensava em chegar, só isso. Meu filho fica louco para me acompanhar nas provas, acorda na madruga e fica mais feliz do que eu quando chegamos juntos. Veste a camisa de finisher e coloca a medalha no peito com todo orgulho e parece que ele fez a prova.

Além disso, tinha que chegar, questão de honra.... Carreguei um camarada que lutou até onde pode para alinhar com os amigos, mas infelizmente não deu né Wlad ? faz parte.

Briguei a cada km para chegar, senti demais como nunca tinha sentido. Nunca sofri tanto numa corrida. Me arrisco a dizer que nem no IM eu cheguei tão arrastado.

Quando abri a última volta( ligeiramente menor ) eu falei para a esposa “só falta uma, vai para a chegada”.

Encontrei com o filhote, fomos juntos os últimos 100m. Pronto, missão cumprida e comprida.

As pernas estavam meio travadas, fiquei uns minutinhos na piscina de gelo até chegar minha vez na massagem.

Ali encontrei a turma novamente, últimos comentários, e casa.

Tempo final de prova foi 5h 14min( meu garmin ) e 5h 17min no resultado oficial. Em condições normais, esse tempo seria pelo menos 40min abaixo.

Precisava de um banho e de roupas secas, estava com frio já.

Já ia me esquecendo, sabe do gel que deixei dentro do tênis ? então, descobri que ele me acompanhou a prova toda, só percebi que não tinha tirado para correr quando fui guardar o tênis no domingo a noite  :)   bem que eu achei algo estranho no meu pé direito.

Analisando as coisas com mais calma na segunda, a falta de treino de corrida me ferrou mais do que meu joelho. Senti a falta de condicionamento específico, embora tivesse treinado bem o pedal e a natação.

Agora é recuperar de verdade, ver as opções de tratamento para poder treinar decentemente para o IM BR, porque é inimaginável fazer o que eu fiz no IM. Sofrer desta maneira por 42km não dá.